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Racismo na literatura: Como o uso indevido de IA reforça o branqueamento em obras ficcionais

  • 15 hours ago
  • 2 min read

O uso de inteligência artificial para modificar tons de pele de personagens é o novo capítulo de um problema antigo: o apagamento histórico e os estereótipos que moldam a literatura clássica e os materiais didáticos

por Laina Moraes

O racismo nos livros manifesta-se através de estereótipos, apagamento histórico ou representações depreciativas de pessoas negras e indígenas, especialmente em obras literárias clássicas e materiais didáticos antigos. O combate a esse preconceito estrutural envolve revisões críticas de obras, a valorização de autores negros/indígenas e a implementação de práticas antirracistas na educação. 

Um usuário com inúmeras contas no Pinterest, utilizou inteligência artificial para pegar fanarts de ilustradores brasileiros/a/es contendo personagens negros, para clarear as peles ou modificá-los para brancos.

A autora brasileira Kai Sodré, que trabalha ativamente diversidade em seus livros, explicou o que pensa da situação: “A falta de informação, a falta de até de empatia com o outro. É, isso vai se espalhando, então pela ficção a gente consegue absorver de uma maneira diferente de uma aula. Não parece que ninguém está tentando te ensinar uma coisa, mas você aprende, sabe? Você percebe, você sente na pele do personagem.”

Ela comenta que o foco principal de seu livro é o contrário desses comportamentos: “Então, assim, inclusive, o Sonata de Pólvora, ele é um livro alegórico da Segunda Guerra Mundial, ele é um livro que fala sobre fascismo, é um livro que fala sobre guerra, é um livro que fala sobre minoria sobre você excluir uma pessoa ou um indivíduo ou um grupo de indivíduos por serem diferentes, por pensarem diferentes, de você falar mal do outro porque ele tem um característica ali ou porque ele fez alguma coisa que foge dos seus padrões. E você confundir a humilhação do outro com o seu divertimento. Isso tá tudo intrínseco na minha história.”

Ainda completou que livros mais inclusivos são essenciais para identificação de diferentes pessoas, para que possamos aprender de maneira diferente: “A falta de informação, a falta de até de empatia com o outro. É, isso vai se espalhando, então pela ficção a gente consegue absorver de uma maneira diferente de uma aula. Não parece que ninguém está tentando te ensinar uma coisa, mas você aprende, sabe? Você percebe, você sente na pele do personagem.”

Análises mostram que livros infantis e didáticos muitas vezes retratam personagens brancos em papéis de destaque, exercendo o branqueamento da literatura ao omitir ou estereotipar a população negra.

A Central de Notícias da Rádio Casa Verdeé uma iniciativa do Projeto “Cultura Além do Obvio”. Este projeto foi realizado com o apoio da 9ª Edição do Programa Municipal de Fomento ao Serviço de Radiodifusão Comunitária Para a Cidade de São Paulo.

 
 
 

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