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A Arte da Cultura em São Paulo

  • 8 hours ago
  • 4 min read

Como a potência criativa, acesso e diversidade transbordam e influenciam a sociedade em uma da maiores cidades da América Latina

 

por Luiza Borgli

 

São Paulo é reconhecida como um dos maiores polos culturais da América Latina. A cidade concentra uma diversidade de linguagens artísticas, equipamentos públicos, espaços independentes e eventos de grande porte que fazem da cultura parte estruturante da vida urbana. Mais do que expressão simbólica, o setor cultural também ocupa posição estratégica na economia paulista.

De acordo com dados do Governo do Estado indicam que cerca de 1,6 milhão de pessoas trabalham na cultura e na economia criativa em São Paulo, o que corresponde a aproximadamente 20,6% de todos os trabalhadores da cultura no Brasil. O setor representa cerca de 5,2% do PIB estadual e envolve 6,5% dos ocupados, evidenciando seu peso econômico e social.Essa força se reflete na infraestrutura cultural da capital. São aproximadamente 366 salas de cinema, 119 teatros e mais de 33 mil bares, cafés e restaurantes licenciados para música ao vivo, além de centenas de museus, centros culturais, bibliotecas e espaços de formação distribuídos pelo território.

Porém, será que os habitantes têm o costume de frequentar os espaços culturais que permeiam sua cidade? Segundo o World Cities Culture Report, embora cerca de 61% da população foi ao cinema pelo menos uma vez no último ano, 75% assistiram a apresentações ao vivo, apenas 29% visitaram museus ou sítios históricos e 36% frequentam bibliotecas.. Os dados sugerem que linguagens como as artes plásticas e a própria história da cidade acabam ficando em segundo plano diante de formas de consumo cultural mais imediatas e associadas ao entretenimento e ao tecnológico. Diante desse cenário, fica a pergunta: quais são os fatores que afastam parte da população desses espaços e produzem esse descompasso no acesso à cultura?

Durante sua visita ao Museu das Favelas, a médica Bianca Cristina Delfino e a designer Stefana Rocha Ribeiro contaram que uma das metas delas para este ano é visitar mais centros culturais da cidade em meio a vida corrida e imediatista que se vive na sociedade contemporânea:

“É o que a gente estava conversando agora há pouco também, que a gente tinha colocado como meta que esse ano que a gente tinha frequentar mais os locais de modo geral, de arte e ter mais essa cultura de modo geral, porque a gente está numa geração muito rápida de modo geral e em relação às redes sociais, então tem toda essa questão também. Então a gente acaba deixando um pouco a cultura e toda essa parte intelectual de lado. Então acho que focar nisso também prende a gente de volta, de onde a gente veio e de ter esse conhecimento e não esquecer disso.

Já Rafaela Rodrigues, recém formada em letras português pelo Instituto Federal de São Paulo, estava visitando a Caixa Cultural e  conta que desde o começo da faculdade passou a querer frequentar mais os espaços culturais oferecidos pela cidade, e que eles são essenciais para a formação dos cidadãos e do senso crítico da população:

“Eu acho que é importante, primeiro, porque possui um papel social, de formar o cidadão, sabe? No sentido de ele aprender a própria história, de aprender sobre a humanidade, sobre o ser humano. Porque o ser humano não aprende a ser humano, ele não aprende a ter humanidade. É meio contraditório, mas a gente não aprende a ser gente, a gente nasce vazio, né? Então alguém tem que nos ensinar. E eu acho que a arte, a educação, esses espaços, as oficinas, são muito importantes para fazer essa ponte.”

São Paulo oferece uma programação cultural extensa e diversa, capaz de dialogar com diferentes interesses, linguagens e perfis de público. Grandes eventos, como a Virada Cultural,  convivem com iniciativas consolidadas como a Bienal Internacional de Arte de São Paulo, a Bienal do Livro e inúmeros festivais de cinema, teatro e música distribuídos ao longo do ano, compondo um calendário permanente e plural.Para a designer Stefana Rocha Ribeiro, essa variedade é fundamental para sua própria prática profissional.

 “A minha profissão, querendo ou não, acaba requerendo muito essa questão de você estar em contato com ambientes culturais, então eu tenho uma certa frequência em museus. Frequentar a Bienal, lá no Parque Ibirapuera, o Sesc 24 de Maio, que tem uma exposição incrível sobre a cultura do hip-hop, o IMS, eu costumo frequentar bastante, principalmente quando eu vejo que o que está sendo retratado ali dentro da exposição acaba refletindo as nossas origens. É justamente por essa questão de autoconhecimento e também para ampliar o repertório visual, que a gente sabe que é completamente eurocêntrico, principalmente quando a gente fala sobre arte e sobre cultura.”

A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa, mantém uma série de iniciativas voltadas à ampliação do acesso, à descentralização da oferta cultural e ao fortalecimento da produção artística na cidade. Entre elas estão a gestão direta de centros culturais, teatros municipais, casas de cultura e bibliotecas, além de programas de fomento, editais públicos, festivais gratuitos e ações de formação. Essas políticas buscam garantir que diferentes linguagens artísticas cheguem aos bairros, valorizem produções locais e criem oportunidades tanto para artistas quanto para o público.

Para acompanhar tudo o que acontece na cidade, o principal caminho é acessar o site da Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa e os portais oficiais dos próprios equipamentos culturais, onde são divulgadas agendas atualizadas, informações sobre ingressos, inscrições e horários. Redes sociais dos centros culturais, museus, casas de cultura e teatros municipais também funcionam como canais importantes de divulgação, assim como newsletters e plataformas de agenda cultural. Criar o costume de consultar essas fontes é uma das formas mais simples de se manter informado e aproveitar a vasta programação cultural que São Paulo oferece diariamente.

 

A Central de Notícias da Rádio Casa Verdeé uma iniciativa do Projeto “Cultura Além do Obvio”. Este projeto foi realizado com o apoio da 9ª Edição do Programa Municipal de Fomento ao Serviço de Radiodifusão Comunitária Para a Cidade de São Paulo.

 
 
 

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