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Analfabetismo entre idosos cai no Brasil para 29%, segundo IBGE

  • 1 hour ago
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Os dados indicam que número de mulheres idosas que têm ensino superior completo aumentou.


Por Victoria Marques


O Censo Demográfico de 2022 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) aponta que a taxa de pessoas com 60 anos ou mais analfabetas caiu de 38% nos anos 2000 para 29,4%. Em 2024, 75,9% das mulheres que trabalham têm ensino superior completo, enquanto 25,3% não têm instrução ou não concluíram o ensino fundamental.

Esses dados refletem casos como o de Maria Lucia Faria, que nasceu em Avaré, interior de São Paulo. Ela parou de estudar no 5º ano do fundamental I e logo passou a viver na capital, e sua vida mudou completamente. “Não tinha muito acesso, eu tive que trabalhar, a gente ia dormir muito tarde, acordava muito cedo para trabalhar. Aí depois eu formei família, tinha as crianças pequenas”.

Naquela época, ela já sabia do supletivo (atualmente chamado de EJA), modalidade de ensino acelerada para concluir os estudos, mas não tinha condições de realizar naquele momento. Apenas aos 62 anos voltou a estudar e investiu no supletivo: “Para mim foi muito importante, me ajudou muito. Eu perdi muitas oportunidades, porque eu não tive chance quando eu era mais jovem. Agora assim, eu estou com a vida mais tranquila, eu voltei a estudar”, conta Maria Lucia aos 64 anos.

Atualmente, ela voltou a morar em Avaré e faz parte do programa EJA (Educação de Jovens e Adultos), que é uma modalidade da educação básica destinada a jovens e adultos, e realizou os cursos de hotelaria, camareira e inglês. “É muito chique, sabe? Eu tenho os diplomas, é um orgulho. Para mim passou tão rápido, porque foi muito gostoso.”


Modalidade EJA

Francisco José de Lima Neto é professor dessa mobilidade há mais de 40 anos e pontua a importância de concluir os estudos: “Em nenhum momento é desconsiderado aquele conhecimento de vida que os estudantes têm. Eles trazem muitos saberes também. Então a escola, de alguma forma, só vai complementar”.

Apesar do intuito ser continuar o conteúdo da escola regular, Neto percebe uma grande diferença nos alunos da EJA, porque não contempla apenas pessoas que têm objetivos profissionais: “Tem essa peculiaridade de atender principalmente os mais vulneráveis, sejam periféricos, subempregados, negros, LGBTQIA+, etc”.

O professor explica que para alguns alunos é muito difícil manter a frequência nas aulas: “São aqueles trabalhadores sazonais, não conseguem manter vínculo empregatício permanente. Então tem uma demanda do ano que ele arruma emprego e ele não consegue conciliar os estudos com trabalho e família”.

Neto pontua que o poder público deveria realizar inciativas para ajudar a manter os alunos a dar continuidade nos estudos. Além do modelo presencial, existe o EAD (Educação a Distância), mas na opinião do professor, esse não é o melhor caminho, pois dificulta o aprendizado e pode gerar a desistência do curso: divide opiniões: “A gente sabe que é um problema, você imagina a pessoa que não frequentou a escola e tem que frequentar um curso básico".

“Mas o ruim que isso não é para facilitar, não é para poder potencializar, qualificar, muito pelo contrário, vai esvaziar os cursos presenciais e a educação, no que tange o princípio da qualidade, vai lá no chão”, complementa o professor.

Apesar de alguns pontos a melhorar, Neto reitera: “Nunca é tarde. Todo momento é hora de voltar, é hora de recomeçar e ter acesso ao conhecimento socialmente e historicamente construído”.

A Central de Notícias da Rádio Casa Verdeé uma iniciativa do Projeto “Cultura Além do Obvio”. Este projeto foi realizado com o apoio da 9ª Edição do Programa Municipal de Fomento ao Serviço de Radiodifusão Comunitária Para a Cidade de São Paulo.

 
 
 

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